16 de ago. de 2011

Vocação Sacerdotal - Porque não ser Padre?


Certa vez li em um livro chamado "Jesus de Nazaré", do Papa Bento XVI, um lindo trecho que tratava da real missão de Nosso Senhor no mundo. O texto dizia que "se Jesus não trouxe a paz aos povos, o bem estar a todos, enfim, o que é então que Jesus trouxe ao vir?" Com uma resposta marcante e simples, Bento XVI disse que Jesus veio trazer Deus!
Ser Padre é exatamente isso, trazer Deus ao mundo sedento Dele. O padre, como dizia São João Maria Vianney, "é o amor do coração de Jesus". Ser Padre é ser pai, no real significado da palavra. O pai que espera a volta de um filho que se perdeu, e ao reencontrá-lo perdoa-lhe, sem nem lhe perguntar por onde andara. Ser padre é ser pastor, no mais belo sentido do ofício. O pastor que cuida de suas ovelhas, especialmente as mais necessitadas. Ser Padre é ser caminho para a vida: "O homem vive da verdade e do fato de ser amado, de ser amado pela verdade. Ele precisa de Deus do Deus que se aproxima dele e que lhe explica o sentido da vida e assim lhe indica o caminho da vida." (Jesus de Nazaré, pg. 240)
Ser padre é ser o Cirineu de muitas pessoas que passam por nossas vidas e, sem nem nos conhecer direito, nos ama e nos quer ajudar no caminho, diante das cruzes. Ser padre é aflorar o mais belo sentido de ser humano que, como Jesus tem a capacidade de nos trazer esperança, de nos trazer Deus, todos os dias de nossas vidas, nas Santas Missas.
Um ser humano que de tanto amar foi retirado do meio do povo, e por tanto querer continuar amando foi devolvido a ele por Deus, como presente do Seu próprio coração!
Então, porque não ser Padre? Por que não consumir sua vida no amor pelo próximo?
Me lembro que, quando criança, associava a imagem do sacerdote a do super-heroi da TV. Fiquei frustrado, pois os herois quando perdiam os poderes já não serviam pra mais nada, não podiam salvar o mundo, enfim, deparei-me com sua mera humanidade. Recordo que já decidido de minha vocação, quis voltar no tempo e fazer a mesma comparação, foi então que deparei-me não com um super-heroi, mas muito mais que isso, deparei-me com o padre! O humano que não tem poderes visíveis, mas que é capaz de perdoar nossos pecados, capaz de anunciar a esperança aos corações desacreditados, capaz de dar amor aos que julgamos não merecer, dar a vida aos que, por vezes achávamos sem jeito. Percebi que o padre, muito mais que o super-heroi, podia salvar o mundo, salvando as almas! Não podia voar, mas era capaz de nos trazer o céu em cada comunhão! Não podia estar ao nosso lado quando necessitássemos, e estivéssemos longe, mas era capaz de nos fazer crer que havia um Deus que nos amava e, por isso, não estaríamos sozinhos!
Hoje, o padre, de fato, não é mais visto como antigamente. Hoje, o padre não está nos gibis de super-herois, ou na TV. O padre não é ovacionado por uma multidão quando salva uma alma. Não é aplaudido por milhares, quando dizendo a verdade, contrariando o mundo. Na verdade, caros amigos, o padre não precisa de nada disso, pois ele é como um coração que, escondido dentro do corpo, não sai nas fotos, nem nos jornais, mas faz questão de bater para pulsar a vida, somente por amor.
Jovem, não tenha medo de entregar sua vida e consumi-la pela Igreja em função do próximo. Deus, no fim das contas, não nos tira nada, pelo contrário, nos dá muito mais, confiando a vida dos outros à nós... Na verdade, nunca conheceremos verdadeiramente o que é ser Padre, pois como dizia o santo cura d'Ars: "...se soubéssemos, morreríamos, não de pavor, mas de amor!"

Parabéns a todos os Padres que nos trazem o que mais necessitamos: Deus; naquilo que de melhor possuem; eles. Que seja eternamente assim; o humano se encontrando com o divino, no mais lindo desejo de se confundirem e se tornarem um!

Lucas Lastória da Conceição está no Seminário São José, tem vinte anos e está cursando seu primeiro ano de Filosofia, na PUC Campinas.

5 de ago. de 2011

Retiro dos Seminaristas de Amparo


Os seminaristas de nossa diocese estiveram essa semana em retiro espiritual na cidade de Mogi Mirim. O retiro aconteceu na casa de Retiros “Monte Alverne”, com início na segunda-feira (01/04), tendo terminado na quinta-feira (04/08), quando nosso Bispo, D. Pedro Carlos, e o reitor do seminário, Pe.Tarlei Navarro, concelebraram a Eucaristia com o pregador do retiro, Pe. Edson Luis Andretta, presbítero recém chegado à Diocese que auxilia a paróquia de Cristo Rei, em Águas de Lindóia.
O retiro marcou o início das atividades dos seminaristas neste segundo semestre. Neste final de semana próximo (06-07), eles retomam também as atividades pastorais, para, na segunda-feira (08), iniciarem o segundo semestre dos estudos universitários. 

Mês Vocacional - Dia do Padre


DIA DO PADRE 

                  Em todas as profissões e postos de comando, existem no correr da história figuras notáveis ou pelo talento ou pela ação ou, até mesmo pelo escondimento. Exemplos notáveis não faltam na Igreja de quem se notabilizaram ou felizmente pela inteligência, pela ação evangelizadora ou, até mesmo pela simplicidade e humildade de suas vidas.
                  Ao celebrar a festa litúrgica de São João Maria Vianney, pároco exemplar na história, não muito distante no tempo, da Igreja, somos – os padres – convidados a contemplar a vida operosa, dedicada e sublimada deste nobre e conhecido clérigo da Igreja da França.
                 É ele constituído pelo Papa, como modelo luminoso de quem, fiel a sua sublime vocação tornou-se em todos os assuntos a figura modelar de um verdadeiro pároco, que na paróquia assume como que o posto de pai exemplar de todas as famílias.
Não é difícil na vida atual da Igreja encontrar sacerdotes silenciosos, humildes e dedicados que no seu zelo pastoral são luzes bem claras da ação do sacerdote. Homens de oração, portanto de união íntima com Deus, de dedicação sacrificada ao bem dos irmãos, do desprendimento das coisas materiais, sabem viver integralmente em união mística como o fundador da Igreja: Jesus Cristo. Não fica difícil lembrar a figura do Cura D’Ars como modelo e protótipo do verdadeiro ministro de Deus.
              Como prova da aceitação do céu à vida exemplar deste humilde sacerdote francês, seu corpo não foi consumido pela terra e se encontra perfeitamente íntegro em seu oratório silencioso e glorioso no altar lateral da igreja paroquial de Ars, na França. Tem-se a impressão de o Santo ter deixado a terra minutos antes.
               Tive a felicidade de celebrar a missa neste altar, com o cálice que era de seu uso diário no tempo de sua vida terrena. Além disso, sente-se um clima de sobrenatural beleza diante daquele humilde altar em que o corpo de São João Maria Vianney se vê intacto como se estivera vivo.
               A festa do dia 4 de agosto em homenagem a São João Maria Vianney traz à mente de todos os sacerdotes do mundo o cuidadoso zelo pelas suas obrigações pastorais, pela sua dedicação ao povo de Deus e pela sua união mística com o Senhor do céu.
             É este o santo que a Igreja apresenta como modelo para o padre diocesano: viver na oração, dedicar-se exclusivamente aos que dele precisam e respirar um clima sobrenatural do contínuo contato com Deus pela vida contemplativa.
               São João Maria Vianney atrai, pela sua vida, os que na aspiração sobrenatural do sacerdócio guardam no coração o desejo sincero de viver na simplicidade os fulgores da vivencia amorosa com Deus. A festa de São João Maria Vianney é um humilde e eloquente convite a todos os párocos para gozarem no dia a dia do seu sacerdócio – que é eterno – as belezas místicas que emanam do exemplo luminoso da vida deste protetor que a Igreja nos apresenta como modelo exemplar da vida pastoral de nossas paróquias.

 Dom Benedicto de Ulhoa Vieira

Arcebispo Emérito de Uberaba - MG

Fonte: CNBB

25 de jul. de 2011

Entrevista com Dom Pedro Carlos

Dom Pedro Carlos, em entrevista, fala sobre o Ano Sacerdotal, um ano depois.


  1. O que significou o Ano Sacerdotal decretado pelo papa Bento XVI? Qual foi objetivo?
O Ano Sacerdotal foi um período de 19/06/2009 a 19/06/2010 dedicado aos sacerdotes do mundo inteiro. O papa Bento XVI quis assim, comemorar os 150 anos da morte do padroeiro dos párocos, São João Batista Maria Vianney, conhecido como Cura D’Ars, que viveu na França entre 1786 e1859. Foi pároco exemplar destacando-se por seu zelo pastoral e santidade de vida. O objetivo do Ano Sacerdotal, em relação aos padres foi fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes, para um testemunho evangélico vigoroso. Em relação aos demais fiéis, foi provocar reflexão sobre o papel e a importância da missão do sacerdote na Igreja e no mundo contemporâneo.Foi um evento extraordinário que no seu encerramento reuniu milhares de sacerdotes na Praça S. Pedro em Roma. Conseguiu evidenciar o lado positivo e a autoestima dos sacerdotes do mundo inteiro.

  1. Qual a importância do sacerdote na Igreja e na Sociedade?
A importância do sacerdote na Igreja é considerável. É uma função eclesial relacionada à paternidade, por isso a palavra padre=pai para designar o sacerdote. É homem da Palavra e da Oração, da Eucaristia: homem de Deus. Na Igreja o sacerdote, colaborador do Bispo, exerce a função do pastor, aquele que cuida, nutre e serve, a exemplo de Jesus Cristo que “amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5, 25). Na nossa sociedade o padre tem, por vários fatores, inclusive históricos, um papel relevante. Aqui mesmo em Campinas quantas iniciativas construtivas para a vida do povo não foram tomadas e levadas avante por sacerdotes? Basta pensar na Santa Casa fundada pelo Pe. Vieira, a PUC por Mons. Salim e Dom Barreto. Nossa cidade tem inúmeros logradouros e estabelecimentos públicos que sinalizam com nome de sacerdotes, a importância que tiveram na sociedade.

  1. Como os fiéis devem posicionar?
Acolhendo os sacerdotes e procurando aceitá-los na fé, apesar dos seus limites, pois não são super-homens. O sacerdote é de uma grandiosidade ímpar: “É expressão do amor do coração de Jesus”, no dizer do Cura D’Ars. Mas é humano! Por isso a postura dos fiéis deve ser de colaborar com os padres. Mesmo quando esta colaboração deva ser na forma de correção fraterna. Alguns padres têm falhas que chamam atenção, geram desaprovação, mas são exceções. Uma árvore ou outra que tomba na floresta faz muito barulho, mas a maioria absoluta das outras árvores, continuam em silêncio crescendo e purificando o ar com seu trabalho. É o que acontece com os sacerdotes.

  1. Escolher um padre para rezar pela sua santificação?
É uma pratica salutar, muitos fiéis já a adotam. O sacerdote reza pela comunidade e para a comunidade e a comunidade deve rezar por seus sacerdotes. O pároco é a vocação sacerdotal confiada à comunidade para que ela a cultive e alimente sempre, com suas preces, acolhida e seu amor. Devemos rezar, sobretudo para que os padres permaneçam fiéis à própria vocação até o fim, com paciência e coragem, não buscando somente resultados, mas  sendo testemunhas do amor misericordioso de Deus.

  1. Como se dá o chamado de Deus para o jovem ser sacerdote?
Está aí um mistério. Lendo os relatos bíblicos das vocações dos profetas e outros escolhidos por Deus, percebemos que a escolha é de Deus, Ele é quem toma a iniciativa. Jesus deixa claro, “fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). Porque Ele escolhe um e não outro? São segredos que pertencem à misericórdia de Deus. Agora, ao chamado corresponde a resposta, e aí entra a generosidade de cada um. Aquele que responder sim deverá assumir seu sim com alegria, fidelidade, paciência. A resposta positiva de um jovem ao chamado de Deus também é um mistério que pertence á ação da graça. Graça que anima o jovem a assumir a vida apostólica pública, na qual ele, ao mesmo tempo que é tirado do meio dos outros, pela escolha de Deus, é “atirado” no meio dos irmãos para  amar e servir como pastor até o fim de sua vida.

  1. Sente-se feliz como sacerdote, bispo?
 Sim, penso que Deus confirmou minha vocação (já são trinta e três anos de sacerdócio e agora bispo) fazendo-me cada dia mais feliz e sereno, no cumprimento de minhas obrigações. Sinto que não me enganei, sei em quem acreditei.E tudo que fiz como sacerdote e faço como bispo o faço em nome de Jesus, que é meu lema de vida desde minha ordenação. Apesar de minhas limitações, cada dia, renovo meu sim ao chamado e recomeço com os olhos postos em Deus e no seu povo a quem devo servir. Tudo que a Igreja me solicitou e solicita, procuro realizar da melhor maneira possível, entendendo que o ministério ordenado é um ministério eclesial. Peço a cada dia as luzes do Espírito Santo para poder discernir sempre qual a vontade de Deus para mim, e assim poder realizar-me sempre mais em minha vocação ao cumpri-la. Vejo que a missão do bispo é árdua, exigente e muitas vezes o bispo está só. Mas aí Jesus Cristo o conforta, pois é o amigo certo nas horas incertas, Ele é o caminho para a verdade e a vida e Nele o bispo tem se porto seguro, sua rocha firme.

  1. Tem alguma mensagem ou conselho aos sacerdotes?
Se puder dizer algo neste sentido, o conselho que dou é que cuidem bem da vocação, não descuidem do primeiro amor, do zelo e alegria de servir que marcam os primeiros tempos de sacerdote. O que é mais triste e faz o povo sofrer é perceber que o padre,  tem vocação para o sacerdócio mas acabou assumindo-o por conveniência, ou está descuidando de sua vocação. É preciso, que o padre cuide de seu lado emocional, de sua afetividade, de sua espiritualidade e aqui a oração tem um papel importantíssimo.  A mensagem que deixo é esta: oração é o sustento vigoroso do sacerdote, chamado primeiro a estar com Jesus, ser seu amigo e discípulo e depois ser missionário. De fato, Jesus “instituiu doze, para que ficassem como ele e para enviá-los a pregar”(Mc 3,14).