7 de out. de 2011

O sacerdote no século 21, segundo cardeal Piacenza

Prefeito da Congregação para o Clero traça o perfil do padre

         LOS ANGELES, quinta-feira, 6 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – “Dispensadores dos mistérios de Cristo” e “sinais seguros de referência e de esperança para quem procura a plenitude, o sentido, o fim, a felicidade”. O prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Mauro Piacenza, traçou um perfil do sacerdote do século XXI, diante do clero de Los Angeles, onde está participando, a convite do novo arcebispo, da reunião anual de padres hispânicos nos Estados Unidos.
           “Num mundo anêmico de oração e de adoração, o sacerdote é, em primeiro lugar, o homem da oração, da adoração, do culto, da celebração dos santos mistérios. Num mundo imerso em mensagens consumistas, pansexuais, atacado pelo erro, apresentado nos aspectos mais sedutores, o sacerdote deve falar de Deus e das realidades eternas, e, para fazê-lo com credibilidade, deve ser apaixonadamente crente, como também limpo”.
            Segundo o prefeito da Congregação para o Clero, “o sacerdote deve dar a impressão de estar em meio às pessoas como quem parte de uma lógica e fala uma língua diferente dos outros”.
“Ele não é como os outros. O que se espera dele é precisamente que não seja como os outros.”
         Uma resposta
         Em referência ao contexto atual, o cardeal afirmou que “num mundo de violência e egoísmo, o sacerdote deve ser o homem da caridade”.
        “Das alturas puríssimas do amor de Deus, do qual ele tem uma particularíssima experiência, desce até o vale onde muitos vivem a solidão, a incomunicabilidade, a violência, para lhes anunciar misericórdia, reconciliação e esperança”.
          “O sacerdote responde às exigências da sociedade, fazendo-se voz de quem não tem voz: os pequenos, os pobres, os velhos, oprimidos, marginalizados”, continuou. “Não pertence a si mesmo, e sim aos outros; compartilha as alegrias e as dores de todos, sem distinção de idade, categoria social, procedência política, prática religiosa. É o guia da porção do povo que lhe foi confiada, pastor de uma comunidade formada por pessoas”, em que cada uma tem um nome, uma história, um destino, um segredo.
         Missão
        O cardeal Piacenza também falou da missão do sacerdote no século XXI, que corresponde “a uma vocação eterna que se realiza na plena comunhão com Deus”.
        “Tem a difícil tarefa, mas eminente, de guiar as pessoas com a maior atenção religiosa e com o escrupuloso respeito da sua dignidade humana, do seu trabalho, dos seus direitos”, destacou.
          “O sacerdote não duvidará em entregar a vida, seja numa breve, mas intensa temporada de dedicação generosa e sem limites, ou numa doação cotidiana, longa. O sacerdote deve proclamar ao mundo a mensagem eterna de Cristo, na sua pureza e radicalidade”, afirmou em outro momento.
E completou: “Não deve rebaixar a mensagem, mas confortar as pessoas; deve dar à sociedade, anestesiada pelas mensagens de alguns diretores ocultos, detentores dos poderes que se impõem, a força libertadora de Cristo”.
          Modelo de estabilidade
          Segundo Piacenza, “um sacerdote deve ser ao mesmo tempo pequeno e grande, nobre de espírito como um rei, simples e natural como um plebeu”.
            O sacerdote tem que ser “um herói na conquista de si, o soberano dos seus desejos, um servidor dos pequenos e fracos; que não se humilha perante os poderosos, mas se inclina perante os pobres e pequenos, discípulo de seu Senhor e cabeça de sua grei”.
           Ao se dirigir aos sacerdotes da arquidiocese, o purpurado destacou os resultados de uma pesquisa sobre Dachau. Segundo os sobreviventes desse campo de concentração nazista, em meio àquele inferno, os que se mantiveram equilibrados por mais tempo foram os sacerdotes católicos.
           O cardeal Piacenza explicou como: “Porque eles eram conscientes da sua vocação, tinham sua escala hierárquica de valores, sua entrega ao ideal era total, eram conscientes da sua missão específica e dos motivos profundos que a sustentavam”.
           O purpurado também falou da necessidade de sacerdotes íntegros no contexto atual, caracterizado pela instabilidade na família, no trabalho, nas instituições. “O sacerdote deve ser, constitucionalmente, um modelo de estabilidade e de maturidade, de entrega plena ao seu apostolado”.
          Vida e ministério
           Diante da “secularização, gnosticismo, ateísmo em suas várias formas”, que “estão reduzindo cada vez mais o espaço do sagrado”, e diante da desordem moral e da pobreza espiritual, “a vida e o ministério do sacerdote ganham importância decisiva e urgente atualidade”.
Segundo o prefeito da Congregação para o Clero, “o verdadeiro campo de batalha da Igreja é a paisagem secreta do espírito do homem, e não se entra ali sem muito tato, compunção, além da graça de estado prometida pelo sacramento da ordem”. 
          O purpurado também advertiu: “A Igreja é capaz de resistir a todos os ataques, a todos os assaltos que as potências políticas, econômicas e culturais podem desencadear contra ela, mas não resiste ao perigo que provém do esquecimento desta palavra de Jesus”.
Finalmente, perguntou “de que serviria um sacerdote tão semelhante ao mundo que se tornasse um padre mimetizado e não fermento transformador?”.
          “Não se pode dar um presente mais precioso a uma comunidade do que um sacerdote segundo o coração de Cristo. A esperança do mundo consiste em contar, também para o futuro, com o amor de corações sacerdotais límpidos, fortes e misericordiosos, livres e mansos, generosos e fiéis”, afirmou.
E exortou os padres a ficarem unidos e serem santos: “Além das inquietações e contestações que agitam o mundo, e são sentidas também dentro da Igreja, há forças secretas, escondidas e fecundas em santidade”.
Fonte: ZENIT

29 de set. de 2011

Reminiscências do Ano Sacerdotal

          
Reminiscências do Ano Sacerdotal

    Durante o ano de 2009 o Papa Bento XVI, por ocasião do 150º aniversário natalício de São João Maria Vianney, Patrono dos párocos, proclamou solenemente um ano Sacerdotal (2009-2010). “O sacerdócio é o amor do coração de Jesus”, disse o Papa recordando as palavras do Santo Cura D’Ars, colocando-o como referência deste Ano e, exemplo, não só dos párocos mas de todos os sacerdotes do mundo.
              Em sua Carta de abertura do Ano Sacerdotal, cita a grandeza do sacerdócio na visão do Santo patrono: Oh como é grande o padre! (…) Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. (…) Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do céu e encerra-se numa pequena hóstia”. E ao explicar aos seus fiéis a importância dos sacramentos, dizia: “Sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem o há de preparar para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. (…) Depois de Deus, o sacerdote é tudo”!(...)
               Com profunda convicção, o Papa recorda-nos trechos da vida deste Santo, sobretudo dos momentos em que servia a Deus em seus paroquianos, na pequena Ars, aldeia incrédula e tão distante de Deus. Soube insistentemente mostrar a Pessoa do próprio Cristo, sobretudo em muitas horas que atendia a confissão, no carinho com que tratava os doentes ao visitá-los, pelo zelo com que ensinava as verdades da fé às crianças que se preparavam para a Primeira Eucaristia, na piedade e temor com que celebrava a Santa Missa, oferecendo-se em sacrifício pela salvação de seus fiéis: “Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs”! Organizava missões, arrecadava fundos para suas obras caritativas, embelezava a sua Igreja e dotava-a de alfaias sagradas. Sobretudo, ensinava a seus paroquianos o amor e o respeito por Jesus na Eucaristia, despertava com seu exemplo o gosto pela oração, pelo jejum e pelas práticas devocionais como o Rosário. Fiel devoto da Santíssima Virgem soube muitas vezes recorrer a sua Imaculada intercessão para conduzir e educar o seu povo, para permanecer fiel em meio aos devaneios de Ars.
           Também nos recorda a magnífica Carta Encíclica Sacerdotii nostri primordia, publicada em 1959 pelo Saudoso Papa João XXIII no centenário da morte do Cura D’Ars, em que cita os três conselhos evangélicos: Pobreza, Obediência e Castidade, presentes na vida do Cura D’Ars. Viveu ele, segundo suas condições de Presbítero a pobreza, quando sabia arrecadar os donativos e do mesmo modo, dá-los aos seus pobres, as famílias necessitadas, e as suas obras sócio-caritativas, sendo desapegado para si e interessado pelos outros. Viveu a castidade, como se requeria a um sacerdote, pelo seu exemplo a ações do dia-a-dia. Seus fiéis percebiam seu olhar casto, e ao mesmo tempo sua paixão por Cristo e por sua Igreja. Também viveu a obediência, quando aceitou o encargo de guiar Ars, e obediente, fazia o máximo para isto.
             Não demorou muito para a fama do “Santo Cura de Ars se espalhar por toda a França. Ars se tornou como muitos diziam “Um hospital de almas”. “A graça que ele obtinha, [diz o Papa], era tão forte que iam a sua procura sem lhes deixar um momento de trégua”! Acrescenta ainda a humildade com que instruía e a força com que se deixava conduzir. E é esta força que deve ser a torrente que conduz o múnus sacerdotal de cada sacerdote “Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina”. Ele deve ser mediador, ser a ponte que conduz o homem a Deus, à sua redenção. “Com a Palavra e os Sacramentos do seu Jesus, João Maria Vianney sabia instruir o seu povo, ainda que frequentemente suspirasse convencido da sua pessoal inaptidão a ponto de ter desejado diversas vezes subtrair-se às responsabilidades do ministério paroquial de que se sentia indigno, mas com exemplar obediência, ficou sempre no seu lugar, porque o consumia a paixão apostólica pela salvação das almas”.
       O Ano Sacerdotal proporcionou a toda a Igreja, inspirada pela vida do Cura D’Ars e guiada pela ação do Espírito Santo uma maior edificação de sua vocação, como povo profético e sacerdotal. Deixemo-nos levar pela Voz de Cristo, Bom Pastor para que sejamos realmente, e coerentemente, verdadeiros construtores do Reino do Senhor.

Por: André Canhassi - Vocacionado do Curso Propedêutico Sant'Ana - Diocese de Amparo

28 de set. de 2011

Papa fala aos Seminaristas

Papa aos seminaristas: fidelidade à vocação é possível“Se Deus quer a vocação, é Ele quem a sustenta”
              ROMA, terça-feira, 27 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Ainda que o mundo mude, é possível permanecer fiel à vocação sacerdotal: esta foi a mensagem do Papa no último sábado, em um discurso espontâneo a cerca de 60 seminaristas, com quem teve um encontro na capela do seminário de Freiburg.
           Este era o único discurso, de todos os que o Pontífice pronunciou na sua viagem apostólica à Alemanha, que não foi escrito previamente.
           Em resposta às inquietudes dos seminaristas, o Papa explicou qual é o significado do tempo que um aspirante a sacerdote passa no seminário. Para isso, tomou uma passagem do Evangelho de Marcos sobre a instituição dos Doze, que reflete uma dupla vontade de Jesus sobre seus discípulos: “estar com Ele” e “ser enviados” a uma missão.
           A contraposição entre ambas as vontades é só aparente, explicou o Papa aos jovens: “Como sacerdotes, devemos sair aos múltiplos caminhos nos quais os homens se encontram, para convidá-los ao seu banquete nupcial. Mas só podemos fazer isso permanecendo sempre junto a Ele”.
“E aprender isso, esse sair, ser enviados, permanecendo junto a Ele, é – acho – precisamente o que temos de aprender no seminário.”
           Outro dos elementos fundamentais do seminário, acrescentou Bento XVI, é “aprender a confiança” em Cristo, aprender a confiar-lhe a própria vocação: “Se Ele a quer realmente, então posso me confiar a Ele”.
           Se Cristo quer essa vocação, Ele não a deixará morrer, disse o Papa: “Se Ele me ama, então também me sustentará; na hora da tentação, na hora do perigo, estará presente e me dará pessoas, me mostrará caminhos, me sustentará”.
           O Papa sublinhou também dois outros aspectos da vida do seminário: o da importância de aprender a viver “com a Palavra” e o de aprender o que significa “ser Igreja”.
Com relação ao primeiro aspecto, disse que a chave para poder escutar Cristo é “aprender a escutá-lo de verdade – na Palavra da Sagrada Escritura, na fé da Igreja, na liturgia da Igreja – e aprender o hoje em sua Palavra”.
           Se a pessoa vive com a Palavra, percebe que ela “não está longe, em absoluto, mas que é atualíssima, está presente agora, refere-se a mim e refere-se aos outros. E então aprendo também a explicá-la. Mas, para isso, é preciso um caminho constante com a Palavra de Deus”.
Com relação a aprender a ser Igreja, o Papa sublinhou que somente no “nós” é possível crer em Cristo.
           “São Paulo escreveu que a fé vem da escuta, não da leitura. Precisa também da leitura, mas vem da escuta, isto é, da palavra vivente, das palavras que os outros me dirigem e que posso escutar; das palavras da Igreja através de todos os tempos, da palavra atual que esta me dirige por meio dos sacerdotes, bispos, irmãos e irmãs”, afirmou.
           “Nós somos Igreja: sejamos Igreja! Sejamos Igreja precisamente nesse abrir-nos e ir além de nós mesmos; sejamos Igreja junto aos outros.”
             Por último, o Papa falou aos seminaristas sobre a importância do estudo e da boa formação.
            “Nosso mundo hoje é um mundo racionalista e condicionado pela cientificidade.” Diante disso, a fé “não é um mundo paralelo do sentimento, que nos permitimos além disso como um 'plus', mas é o que abraça o todo, lhe dá sentido, o interpreta e lhe dá também as diretrizes éticas interiores, para que seja compreendido e vivido frente a Deus e a partir de Deus”.
            Por isso, o Papa sublinhou a importância de “estar informados, compreender, ter a mente aberta, aprender”.
             Ainda que as modas filosóficas mudem, concluiu o Papa, “não é inútil aprender estas coisas, porque nelas também há elementos duradouros. E sobretudo, com isso aprendemos a julgar, a acompanhar mentalmente um raciocínio – e a fazê-lo de forma crítica – e aprendemos a fazer que, ao pensar, a luz de Deus nos ilumine e não se apague”.
           “Estudar é essencial: somente assim podemos enfrentar a nossa época e anunciar-lhe o logos da nossa fé”, acrescentou.
Fonte: ZENIT